Aug 19, 2008

Do preto pro branco

A folha em branco reflete sua imagem,
reflete no aperto em meu peito, enfim despeito.
O traço tão negro expôe a coragem.
Lhe falta pensamento próprio, pra ti: impróprio.

Escrever édifícil enquanto sinto
que tudo que fiz foi puro, não minto.
Noites perversas e cheias de luz
cintilam e piscam pro santo na cruz.
Dançar e girar me afastam de mim
mas sei que sozinho estou no fim.

Em casa me guardo com um pé atrás,
A espera do homem que a vida me trás.

Sou tão diferente, me sinto arrogante
Do mundo "normal" me sinto distante.
Se todos chacoalham no cesto da vida,
eu uso o vento e curo a ferida.

De corpo fechado me sinto seguro,
Até que não fiquem em cima do muro.
A hora vai chegar e assim espero,
Para com alguém ter o mais lindo elo.

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