A arte e o abandono
Eu sou passageiro,
o efêmero, inconstante.
O nunca sempre presente.
O sempre abandonante.
O que deixa pegadas
e contratos de aluguel pela metade.
Amizades na saudade
ou no esquecimento
como detrimento, ora
nas buscas e nos destinos
da minha arte pobre
mas em parte nobre.
Hora assim, hora assada,
mas sempre minha.
Pois ela sou eu,
e eu sou ela.
Concomitantes,
moradores de si mesmos.
Ela em mim e eu nela.
Minha casa confortante.
Meu amor inebriante.
Meu amigo confidente.
Minha única certeza
na alegria e na tristeza,
que me puxa ou me afunda,
que me seca ou me inunda,
mas que sempre me inspira
e que eu nunca abandono.

No comments:
Post a Comment